Terça-feira, 8 de Julho de 2008

Dias cinzentos

"Minha força está na solidão
Não tenho medo de chuvas tempestivas
Nem de grandes ventanias soltas
Pois eu também sou o escuro da noite".
(Clarice Lispector)

Observando a chuva fico a pensar nos mistérios que rodam esse fenômeno tão fascinante que encanta de poetas a fajutos. Parte da vida se esconde quando chove assim como outra parte também se revela. Para onde vão as borboletas, me pergunto. E de onde surgem tantas mariposas? Penso que ambas possuem asas, umas mais coloridas que outras. Mas todas elas possuem o fascínio de poder voar. Então não questiono mais, porque a beleza está ali. E onde há beleza não há dúvidas. Só encantamento.

Terça-feira, 1 de Julho de 2008

Nostalgia...

Verdes, vermelhas, amarelas, azuis, brancas ou pretas...

Lembro da minha infância, quando preferia as continhas, os botões, os grãos de feijão e outros carocinhos às bonecas estereotipadas que as vezes ganhava da minha mãe. As bugigangas viravam criaturas tão vivas quanto eu. Elas corriam, saiam, cantavam, dançavam. Eram personagens cheios de vida, com seus desejos mais íntimos revelados na minha imaginação. Pensava se outras garotinhas também brincavam de modo tão estranho, mas tudo voltava a ser o que era quando alguém se aproximava. Paulas, Sofias, Julies, Pedros e Jans tornavam-se em segundos feijões, botões e continhas coloridas.
Nada do que eles viviam fazia parte da minha vida. Ao contrário. Eram sociáveis por demais, se comunicavam bastante, se aventuravam, eram ousados e passavam longe da solidão. Seria muita pretensão deixa-los presos ao mesmo mundo em que eu vivia. Eles precisavam experimentar de forma diferente. Assim os fazia.
Depois de decorrer alguns tantos anos, até hoje não posso dizer que tive experiências tais quais as dos meus personagens imaginários. E nem era pra ser. Deles só trago as cores e formas. O suficiente para mim.

Domingo, 8 de Junho de 2008

Os ares...

Nunca tive a pretensão de ser vista como quem não tem defeitos, até porque todos os têm. Nunca tive a pretensão de ajudar a todos, a eterna “mulher maravilha” a quem a todos vê, escuta e dá o ombro para molhar a lágrimas. Nunca tive a pretensão de tudo sentir, de tudo saber, de tudo ser. Não suportaria o peso completo das coisas, não sustentaria toda a força negativa que retorna delas após as pessoas as vivenciarem.
Nunca tive a pretensão de deixar de lado a escuridão da vida, sentir a tristeza o mais profundo que fosse e saber que os momentos de solidão extrema eram para ser assim. Sós, silenciosos e tristes. E foi assim que compreendi que poderia aprender com cada situação que passasse. Foi assim que consegui caminhar até onde estou hoje e sei que ainda seguirei com meus passos. Essa lucidez ainda mantenho, apesar de.
Às vezes sinto como se me equilibrasse, lutando contra a gravidade. Um fino fio entre a segurança e o fracasso. O vento não é meu maior inimigo pois é nele que me sustento. Sei que se faltar o equilíbrio é com ele que irei. Voarei. Vou voar longe, longe. Tão longe que poderei sentir a força da imensidão dos ares, porque isso não terá fim.

Sábado, 17 de Maio de 2008

Mera distração...

"Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados como para os que não o são... Sentir é estar distraído." (Fernando Pessoa)

Ah essa doce liberdade! O respirar suave, o frescor do ar. Como aquela coisa boa que sinto quando estou com você. Nem preciso correr como as cenas de filmes nos quais querem mostrar o poder de liberdade do personagem. Não. Vou tranquilamente, como nas cenas de solidão. Caminho sentindo cada passo e as folhas semi-secas sob meus pés suavizam o atrito. O vento sopra suave lançando mechas do cabelo ao rosto, então sorrio. Motivos? A liberdade, o vento e os pensamentos que me levam longe. Eis que lembro do anoitecer daquela quarta-feira, quando sorri e representei a cena da Sarah Polley na pele da Ann: “se você não me beijar agora eu vou gritar”. É! Foi mais ou menos assim. E mesmo sem acreditar que eu pudesse gritar você me beijou e jogou acima dos meus pensamentos confetes coloridos. Tantos que eu podia enxergar o céu em cores e formas, diversas. Alegria, duradoura alegria. Com as lembranças eu sigo e vejo-me naquela manhã, no parque. As folhas que caiam sobre mim como vindo de encontro ao desconhecido. Chego a imaginar que era eu que flutuava com elas no espaço, ao ponto de atingir o solo e ter que recomeçar o ciclo. Pois folha que cai não é natureza morta, é vida. Vida que recomeça e renasce das cinzas. Aquele instante ganhou a eternidade pela intensidade do bem que me fez. A paz contida na presença. A paz dos detalhes que fazem toda a diferença. Paz, envolvente paz. Recordo cada pôr-do-sol no Humaitá, os segundos nos quais o sol se esconde por trás do continente e sempre comentamos: “nossa! Desce rápido!”. Cada apresentação da lua, cheia ou “lua-melancia”, e eu sempre insistindo em te fazer observa-la. Os detalhes parecem ainda mais específicos quando estamos juntos. Certa vez você disse que as coisas acontecem quando estou presente. Não sei, mas possa ser que na verdade as coisas aconteçam porque nos sentimos vivos quando estamos juntos, e quando se vive o inesperado sempre se faz presente. E quem vive vê, escuta, sente e se é. E nós somos!

Cada segundo com você é uma vida nova. E eu quero mais!

Diana.

Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Ponto... de continuação.

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A solidão sempre me fez forte, convicta. Hoje me perco na sua ausência e me sinto frágil. Não precisa ser assim. Estou cansada desse sentimentalismo exageradamente exposto. Sufoca-me o choro contido, falta-me o ar, não consigo respirar e detesto minha fraqueza. Sou um exagero de sentimentos e sensações. A frieza nesses casos seria uma saída, ou talvez não. A frieza em mim resume-se na incapacidade de enfrentar a emoção que sinto. Mas eu sinto, portanto passo longe da indiferença diante de determinadas situações. Não precisa isso? Sei que não. Mas sou assim. E “sou” as vezes parece ser mais forte que “eu”. E onde estou, no sou ou no eu?! Estou tentando descobrir.

Domingo, 27 de Abril de 2008

Sereno


"Pois é, não deu
Deixa assim como está sereno.
Pois é de Deus
Tudo aquilo que não se pode ver
E ao amanhã a gente não diz
E ao coração que teima em bater
avisa que é de se entregar o viver."
(Marcelo Camelo)